Bolsa de Iniciativas PRR

 

R0Vita: Pequenas Rotas para Longas Vidas (ID: 278 )
Coordenador: ARTSHARE - INVESTIGAÇÃO, TECNOLOGIA E ARTE LDA
Iniciativa emblemática: 1. Alimentação sustentável
Data de Aprovação: 2022-04-04 Duração da iniciativa: 2025-09-30
NUTS II: Centro NUTS III: Região de Aveiro
 
Identificação do problema ou oportunidade

O projeto R0Vita: Pequenas Rotas para Longas Vidas nasce com a missão de fortalecer, de forma inovadora e sustentável, o crescimento do setor agroalimentar a nível económico, social e ambiental. Para tal, foram identificadas as seguintes áreas de oportunidade:

Aumento da produtividade, resiliência e sustentabilidade dos sistemas agroalimentares: Diversos fatores (ambientais, económicos e sociais) têm posto a descoberto a volatilidade da produção agrícola e de algumas cadeias de distribuição. Uma solução para aumentar a produção, resiliência e sustentabilidade dos sistemas agroalimentares é através do estimo da produção local. Com a abordagem “Zero-mile”, é possível promover o mercado local, o que traz várias vantagens a nível económico, social e ambiental, tais como: aumento e escoamento da produção local; redução de custos e gases de efeito de estufa relacionados com armazenamento, transporte e distribuição; aumento da confiança entre produtores e consumidores através do contacto direto entre os mesmos; promoção do consumo de alimentos locais, frescos e de qualidade; entre outros.

Combate à perda e desperdício alimentar: Estima-se que entre 720 e 811 milhões de pessoas em todo o mundo passam fome ou estão subnutridas (https://www.fao.org/3/cb4474en/cb4474en.pdf), ao mesmo tempo, cerca de um terço de todos os alimentos produzidos no mundo são desperdiçados. A perda e desperdício alimentar não se dá apenas a nível do consumidor, pois está presente em todas as etapas da jornada “do Prado ao Prato”. Desta forma, é preciso abraçar abordagens e metodologias que permitam evitar e/ou mitigar a perda e desperdício alimentar, em todos os pontos da cadeia alimentar.  

Consciencialização para a adoção de uma Dieta Mediterrânea (DM): A DM, para além de Património Imaterial da Humanidade, é a que reúne maior consenso junto dos especialistas como a mais saudável e sustentável, devendo por isso ser não só preservada, mas promovida. Apesar de Portugal, historicamente, ser considerado um país onde se segue a dieta mediterrânea, atualmente este já não é o padrão alimentar mais comum entre os portugueses e há até alguma desinformação sobre o que incluir nesta dieta. É por isso premente consciencializar para as vantagens deste padrão alimentar, ao nível da saúde humana e planetária, e torná-lo atraente. O padrão alimentar mediterrâneo vai muito para além dos alimentos que ingerimos, tendo uma série de outras vertentes, como o hábito de fazer refeições acompanhado, e o consumo de alimentos sazonais e de produção local, que serão também explorados neste projeto.

Aproveitamento das áreas rurais: A Ria de Aveiro apresenta-se como uma zona estuarina, com cerca de 31.000ha, 128km de frente lagunar e 60km de frente costeira. Com uma biodiversidade rica e vasta, apresenta igualmente uma grande diversidade de atividades humanas (pesca, agricultura, pecuária, turismo, entre outros). Mais especificamente, na área da BioRia, entre Estarreja e Fermelã, estão reunidas condições para a prática agrícola facilitada pelo sistema Bocage sendo possível encontrar arrozais e pastagens em plena harmonia com habitats de transição como sapais, caniçais e juncais. Assim, torna-se relevante dar continuidade, aproveitar e revitalizar as práticas e recursos que se têm vindo a empreender ao longo dos tempos.

Igualdade de género e inserção de população jovem no sector agrícola: O sector agrícola foi considerado um dos maiores sectores de emprego na UE em 2016, com 9,7 milhões de trabalhadores. Porém, apenas 11% destes trabalhadores apresentam idade inferior a 40 anos e apenas 28% dos agricultores eram mulheres (Eurostat, “Farmers and the agricultural labour force - statistics,” 2019). Exposto isto, é fulcral criar abordagens que possam promover um desenvolvimento sustentável, equilibrado e inclusivo das zonas rurais. É preciso dar especial atenção e apoio às inovações lideradas por jovens agricultores e mulheres nas comunidades agrícolas, de forma a favorecer a implementação do Pacto Ecológico Europeu e da estratégia europeia “do Prado ao Prato” nas zonas rurais.

 
Breve resumo da iniciativa a desenvolver

R0Vita contribuirá para o cumprimento dos objetivos preconizados pela Agenda de Inovação para a Agricultura 20/30 assim como para todas as Linhas de Ação (LAs) propostas:

O1: Revitalizar os processos de produção de arroz na BioRia: Aumentar a produtividade, resiliência e sustentabilidade dos sistemas agroalimentares, através da revitalização, digitalização e automatização dos processos de produção de arroz. Quinta Nova Rice (QNR) – área de experimentação para o cultivo de arroz com 3 fortes componentes: digitalização dos processos de produção de arroz, robotização autónoma da transplantação e apanha do arroz; utilização de patos para limpeza dos campos; sistema automatizado de controlo dos níveis de água.

O2: Estimular a adoção da DM: Promover a adesão de alguns hábitos da DM, como o baixo nível de transformação dos alimentos, a adoção de alimentos de origem vegetal e a proximidade entre a produção e o consumo favorecendo os alimentos sazonais e de produção local e práticas agrícolas mais sustentáveis. Assim, pretende-se desenvolver ações de formação e de envolvimento com produtores, vendedores e consumidores. No final do projeto, espera-se aumentar 20% o nível de adesão à DM: BancaTerra: visa estimular os hábitos da DM dos seus clientes com produtos frescos, sazonais e da região; Restaurante Fábrica da História (RFH), em Estarreja: visa criar receitas e menus com produtos da DM, como o arroz produzido na QNR; Restantes parceiros: através da comunicação e consciencialização da sociedade.

O3: Criar o passaporte do alimento: Rastrear os processos e alimentos ao longo da cadeia agroalimentar, garantindo que as informações sejam auditáveis e transparentes. Será criado um passaporte do alimento, desenvolvido a partir de tecnologias baseadas em Blockchain, que irá assegurar a rastreabilidade do ciclo de vida dos produtos alimentícios desde a sua origem ao consumidor, reforçando e garantindo a credibilidade, autenticidade, a eficácia e segurança do processo de fabricação. Este passaporte será implementado nos casos de estudos RFH eBancaTerra.

O4: Apoiar o mercado local: Adotar uma abordagem “Zero-mile” com vantagens económicas, sociais e ambientais. Para tal, contaremos com a colaboração do BancaTerra, onde semanalmente serão entregues cabazes de legumes e frutas da época escolhidos pelos consumidores, aumentando o laço produtor-consumidor.

O5: Estimular o interesse pelo setor agrícola: Cativar as novas gerações para as áreas da agricultura sustentável e da DM. Quinta Nova School (QNS) - complemento escolar dedicado a crianças que aborda: a) Escola Floresta: metodologia de contato com um ambiente local; b) Método Montessori: observação com foco na autonomia, liberdade com limites e respeito pelo desenvolvimento natural das habilidades físicas, sociais e psicológicas; c) STEAM: abordagem que incorpora as Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e a Matemática, promovendo o desenvolvimento do espírito critico e da capacidade de resolução de problemas. Para além de contar com vários animais de raças autóctones portuguesas, a QNS terá uma horta roboticamente automatizada, onde os produtos produzidos (integrantes da DM) serão a base das refeições dos alunos no refeitório da QNS. Com propósito de instalar novos jovens agricultores nos territórios nacionais de baixa densidadepropõe-se que a QNS assuma o papel de quinta pedagógica e desenvolva atividades de enriquecimento e convívio familiar, como cursos informais, passeios a cavalo, passeios de barco nos canais e outras atividades de caráter imersivo digital. Serão ainda criados sistemas de apoio a jovens agricultores e mulheres, de forma a aumentar/melhorar os seus conhecimentos e competências para o setor agrícola através de workshops, etc. relacionados com inovação, digitalização e empreendedorismo e, idealmente, desenvolvidos em parceria com Entidades em Municípios de baixa densidade.

O6: Promover e proteger o Sistema de Bocage: Proteger a flora e fauna natural da área Norte da Ria de Aveiro, fortalecer e revitalizar as atividades típicas, como a produção de arroz, a pecuária, entre outras.

 
Áreas de Trabalho e responsabilidades de cada parceiro

A nível de estrutura de trabalho, prevê-se que projeto R0Vita se organize em 4 grandes grupos de atividades, relacionados com as LAs propostas (LA 1.1, 1.2, 1.3 e 1.4), nomeadamente: 1) Consumo; 2) Produtos; 3) Dieta Mediterrânea; 4) Comunicação, disseminação e consciencialização.

ARTSHARE (http://artshare.pt)PME sediada em Aveiro, que atua no campo da investigação para a transformação das economias e sociedades através da inovação tecnológica impulsionada por práticas artísticas. Com quase 20 anos de experiência em fomentar e desenvolver a prática das artes no sector da ciência e tecnologia, tem como principal objetivo o desenvolvimento e implementação de tecnologias e a aplicações tecnológicas enquanto facilitadoras da divulgação de ideias manifestadas em processos, produtos e serviços. Artshare será a coordenadora do projeto, e estará fortemente envolvida em todas as LAs propostas. Será responsável pela comunicação e disseminação do projeto e pela consciencialização das comunidades, assim como pelas atividades desenvolvidas na QNS e na QNR. 

UNINOVA (https://www.uninova.pt)Instituto de Desenvolvimento de Novas Tecnologias, é um instituto de investigação multidisciplinar, localizado na área metropolitana de Lisboa. O seu principal objetivo é buscar a excelência na pesquisa científica, desenvolvimento técnico, treino avançado e educação. O UniNova estará envolvido em todas as LAs. Será responsável por liderar as atividades de criação do passaporte do alimento, e dará apoio nas atividades relacionadas com a automatização dos processos de produção de arroz e de comunicação, disseminação do projeto e consciencialização da sociedade. 

COLAB4FOOD (https://colab4food.com), laboratório colaborativo que tem como principal objetivo de promover a competitividade e sustentabilidade da indústria agro-alimentar, implementando um conceito colaborativo na inovação alimentar. O Colab4Food estará envolvido em todas as LAs, liderando as atividades de sensibilização e implementação de padrões alinhados com a DM.

BANCA TERRA (https://bancaterra.com), localizada em Aveiro, é uma PME de produção agrícola sustentável cujo foco é a promoção da “Cultura de Proximidade” e produz aquilo que os consumidores procuram: legumes frescos, saudáveis e que saibam onde e como são produzidos. Será o caso de estudo para a demonstração da abordagem “Zero-Mile” e para o passaporte do alimento.

PORTUGAL FOODS (https://www.portugalfoods.org), é uma associação de âmbito nacional que tem como missão reforçar a competitividade das empresas do setor agroalimentar através do aumento do seu índice tecnológico, promovendo a produção, transferência, aplicação e valorização do conhecimento orientado para a inovação, bem como promover a internacionalização das empresas do setor através da sua capacitação para a internacionalização e na identificação e captação de oportunidades. No projeto R0Vita, estará envolvida em atividades de sensibilização e envolvimento de empresas do setor agroalimentar e disseminação internacional.

CÂMARA MUNICIPAL DE ESTARREJA (https://www.cm-estarreja.pt), órgão autárquico do concelho cujo foco é promover o desenvolvimento do município em todas as áreas da vida. A CME contribuirá através da parceria com o RFH (que por sua vez contribuirá para o estímulo da adesão à DM e demonstração do passaporte do alimento), assim como através de ações para comunicação, disseminação e consciencialização.

GAL Rural da Região Aveiro Norte (http://aveironorte.aida.pt/gal-aveiro-norte/), formalizado em 2015, constitui-se como uma parceria público-privada entre 18 entidades que visa promover o desenvolvimento e diversificação das economias locais. GAL contribuirá com conhecimento histórico sobre práticas e agentes agrícolas da região e colaborará na disseminação dos resultados de R0Vita com os agentes locais e regionais.

 
Interlocutor: Luis Miguel Almeida Ferreira Girão   Email interlocutor: luis.miguel.girao@artshare.pt   Email entidade: finance@artshare.pt